segunda-feira, 3 de setembro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
MAICON DIEQUISADO
Vejamos atentamente essa surreal imagem provida de muita mensagem subliminar, ou não. Quem é mal? Você é preto ou branco? Nasceu preto ou branco? Vai morrer preto ou branco? Está a fim de salvar o mundo ou só está andando para trás? Quer passear na lua? Ser sempre pequeno? Ter um belo nariz? Ferrar com a vida de um capitão? Gancho quem sabe? Você é mal? Macaulay Culkin foi lembrado ou esquecido? São perguntas extraídas dessa imagem, não vê?
Na brilhante sombra do vazio, há um vazio cheio de escuridão. Ninguém nunca foi obrigado a ficar onde não quer. E não existe sombra sem um mínimo que seja resquício de luz. Agora repito – gritando: Quem é mal? Se a pomba cair no petróleo, se o Eduardo perceber que a Mônica encontrou sim, a razão e que ela existe fora do coração e se… Competissem para ver quem acerta com quantos paus se faz uma canoa, o que aconteceria? Já não sei, Legião! O tempo passa arrastado, só para eu ficar do lado do bem, da luz! E digo que não morrerei com HIV numa cama de hospital, far-me-ei eterna na cabeça dos jovens, ah, pois “tem que existir o passado pra existir o futuro e pro presente ser o tá sendo”.
Tenho medo do que sai de mim, se tem cor ou significado que por ventura foi estereotipado por idiotas que acham que uma ave tão destruidora, nojenta e suja, pode ser o símbolo da paz. A paz deveria estar onde o sol não bate, e que a vitamina D penetre as estranhas cutâneas do meu ser, e que ainda haja melanina capaz de bloquear raios ultravioleta, ultra tulipa, ultrassonoro, ultra Percy Jackson trombadinha, ultra alguma coisa que faça queimar os olhos e arder a alma. Que os raios não queimem minha televisão quando você estiver assistindo teu desenho preferido… Porque o que posso evadir de mim, é só isso, e o que posso fazer para invadir você, é mortífero. Cair na sombra de perder, perdendo-me.
Quem é mal?
Enaitá Neli.
Piano
Estou aqui. Imploro que olhe e me enxergue, mas não, você atravessa meu corpo. Sou um fantasma que ainda busca reconhecer-te depois que tudo acabar, que as flores perderem o sentido maior, que envelhecer. Poderia prover-te de clichês metódicos, com melodrama barato de sábado à noite. Mas você insiste em ligar para minha casa, para o hospital, ler a última carta dezenas de vezes para encontrar-me. Elas nunca obtiveram sentido, não vê? Pergunto-te se podes atravessar uma rosa, e se realmente acredita no que disse anos atrás quando vir-te pela primeira vez. “Os espinhos é o beijo das rosas, por mais que doa, que sangre, arda… Os espinhos são a defesa da alma, escudo da corola vermelha que um dia tu me deste em frente à lareira de sua avó”. Creres nisto? Por que não tenta me achar em si? Passei a vida inteira procurando motivos para viver, não quero que seja meu álibi, pare de chorar.
Estou aqui. Só precisa sentir mesmo com tua cegueira vitalícia, que não levei os óculos, estou com a roupa formal que fui ao segundo casamento da mamãe, que há algodões em meus ouvidos, que só consigo escutar-te. E se te olham com desprezo é porque sabem que todo meu amor pra sempre e sempre será seu, mas ninguém. Estou aqui. Jamais deixaria esperar em uma estação de trem, pelo meu abraço… É o fim? Você vai para casa com esses olhos verdes inchados e cansados de não acreditar em minha inexistência repentina, fumará três maços de uma só vez, depois olhará para o piano que nunca soube tocar. Talvez ache as alianças que queria dar-te domingo pela manhã. Talvez, desvende o segredo do mágico antes que a cortina feche e só sobre aplausos confusos – que você não dá.
Estou aqui. E onde está? Encontrará duas alianças como nossos nomes em cima da única nota que gostava, colocará no dedo a sua, e olhará para a casa vazia se meus dedos ainda se encontram lá. Mas não estão. Tirará a sua, e guardará novamente no piano. Pois quando minha família vendê-lo, talvez alguém ache e saiba de nós. Ou não. Esse não é o fim, case-se, não se esqueça de colocar no vaso flores, pague aula de piano para o filho mais novo, pare de fumar cigarros baratos, me esqueça. Deixe-me na nota que se foi. Não espere que alguém lhe procure, ou pior, ache teu endereço e as devolva. Porque de todas as lágrimas que molharam a madeira que me cerca, a que mais doeu, sangrou, ardeu… Só não sei até quando: Estou aqui.
Enaitá Neli
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